Minha professora é “black”! O corpo como suporte no processo de construção identitária nas experiências formativas de professoras do ensino superior

Carregando...
Imagem de Miniatura
Data
2019-10-31
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo

A presente pesquisa intitulada Minha Professora é “Black”! O corpo como suporte no processo de construção identitária nas experiências formativas de professoras do Ensino Superior propõe-se a analisar de que forma professoras negras do ensino superior constroem suas identidades étnico-raciais e profissionais a partir da relação afirmativa que estabelecem com seus corpos. Estes têm seus sentidos e significados ampliados na pesquisa, quando são vistos para além das suas funções biológicas, portanto, considerados, também, em sua dimensão política. O problema a ser respondido na pesquisa é de que forma as professoras negras do ensino superior constroem suas identidades étnico-raciais e profissionais a partir da relação afirmativa que estabelecem com seus corpos? Como objetivos específicos, interessa-nos conhecer as trajetórias de construção identitária das mulheres negras professoras desta pesquisa; compreender o processo que levou as professoras negras a fazer as “pazes” com seus corpos; identificar, através dos depoimentos das professoras, como as/os discentes/docentes e seus/suas colegas de trabalho percebem a presença destas e suas corporeidades nas instituições em que trabalham. Aporta metodologicamente na pesquisa qualitativa. O trabalho conta com a presença luxuosa de cinco professoras: Aimó, Edileusa Santos, Elenara, Luisa Mahin e Vicença. Buscamos as pistas deste tenso e rico processo de construção identitária, via corpo, nas memórias das histórias de vida das mulheres negras professoras da pesquisa em suas vivências nos espaços da família, escola, na rua, no campo da afetividade e na academia. Cada um desses lugares é responsável pela formação da autoimagem destas mulheres na direção de uma mudança política, estética, na construção do discurso e de práticas antirracistas e antissexistas. A técnica utilizada para acessar essas memórias foi a entrevista narrativa. A escuta sensível às histórias de vida das professoras nos conduziu, principalmente, às seguintes conclusões: as esferas de sociabilidade apontadas na pesquisa, presentes na família, escola, rua, campo afetivo e academia, constituem-se como espaços formadores da identidade negra, que transitam entre experiências traumáticas e processos de enegrecimento. As experiências dolorosas com o racismo, o aquilombamento em coletivos negros, o fortalecimento da autoestima por meio da família, a relação com a arte, a dança, a ancestralidade, religiosidade, representatividade, o enfrentamento e a resistência dessas mulheres as aproximam de uma mudança que acontece via corporeidade, junto com um processo de descolonização das suas mentes. Essa revolução tem impactos na vida pessoal e profissional de cada uma. A perspectiva Sankofa como constituto daquilo que nós somos nos ensina a olhar o passado na perspectiva da circularidade e continuidade dos ciclos de vida, dos legados herdados da nossa ancestralidade. Muitas lutas foram necessárias para que as mulheres negras pudessem ocupar, hoje, esses espaços da academia. Salve, minhas mais velhas, e cuidemos para que outras tantas mulheres pretas ultrapassem os caminhos alcançados por nós.


Descrição
Palavras-chave
Mulher Negra Professora, Corpo Negro, Identidade Negra
Citação
SOUSA, Micheline Fernandes de Lima. Minha professora é “black”! O corpo como suporte no processo de construção identitária nas experiências formativas de professoras do ensino superior. Orientadora: Delcele Mascarenhas Queiroz. 2019. 154f. Dissertação (Mestrado), Programa de Pós-graduação em Educação e Contemporaneidade - Departamento de Educação Campus I, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2019.