Industrialização, povoamento e extrativismo: da constituição do extremo sul baiano à formação do “comercinho dos pretos” na década de 1950.
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Resumo
O município de Teixeira de Freitas, situado no Extremo Sul baiano, próximo ao Norte do estado do Espírito Santo, surgiu e se desenvolveu enquanto povoado no contexto de crescimento econômico e desenvolvimento industrial na década de 1950, a partir da extração de madeira e da consequente chegada das primeiras levas de moradores urbanos à região. Nesse primeiro momento, o território da região onde se insere passa a ser alterado, tendo sua vegetação nativa explorada, reconfigurando o espaço e as relações sociais em conformidade com os interesses do processo de industrialização e desenvolvimento fomentado pelo Estado brasileiro. Tendo isso em vista, essa pesquisa aborda o desenvolvimento urbano inicial do interior do município de Alcobaça, onde Teixeira de Freitas constitui-se como povoado, compreendendo a configuração econômica do Extremo Sul baiano, a participação de empresários do Sudeste brasileiro em seu território, bem como as alterações nas formas de relação de trabalho e a consequente reconfiguração geográfica com o processo de povoamento e urbanização do que virá a se tornar Teixeira de Freitas. Este trabalho parte da discussão acerca do processo histórico de constituição das relações econômicas e territoriais no país, buscando compreender os papéis definidos aos centros urbanos e econômicos, desde a consolidação do Sudeste brasileiro, passando pela especialização produtiva do interior baiano, até o processo de integração do Extremo Sul baiano no mercado nacional. Analisa ainda o processo de colonização da região Extremo Sul da Bahia empreendida pelo projeto desenvolvimentista do Estado brasileiro, bem como os interesses dos entes governamentais em incluir a região no cenário de exploração, implementando uma política de exclusão e extermínio de demais formas sociais e de produção que não as correspondentes ao projeto oficial. Entendendo que os conflitos sociais inerentes a sociedade de classes aparecem e são demonstrados não apenas nos contornos e desenhos das cidades e das demais formas de organização sobre o território, mas também na memória que é construída sobre estes lugares, a memória coletiva local ao final passa ao posto de objeto de análise. A chegada das empresas extrativistas sempre que evocada em fontes memorialísticas são referendadas enquanto ponto de partida de reconfiguração social e geográfica. Paralelamente, atribui-se a esses empreendimentos a responsabilidade de terem levado o progresso e a modernização ao lugar, o que demonstra a percepção acerca da integração territorial numa economia de mercado cada vez mais industrializada e articulada.