Cultivo de cogumelo comestível tipo Pleurotos em substratos orgânicos no norte da Bahia, Brasil
Data
Autores
Orientador
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
O presente estudo teve como objetivo testar e avaliar a viabilidade do cultivo de cogumelos comestíveis do gênero Pleurotus em substratos orgânicos, com ênfase na fibra de coco e em Eichhornia crassipes (Mart.) Solms (planta aquática popularmente conhecida como baronesa). A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Micologia da Universidade do Estado da Bahia, Campus VIII, Paulo Afonso, em parceria com o Laboratório de Genética Molecular e Biotecnologia Vegetal da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Campus I, João Pessoa. Paraíba. Culturas axênicas de Pleurotus obtidas do Campus I da UFPB foram repicadas e incubadas em BOD (Demanda Bioquímica de Oxigênio) para garantir a pureza e vitalidade das cepas. Grãos de milho de galinha foram utilizados para a produção do "spawn" (sementes), sendo suplementados com duas formulações: 2% de gesso agrícola e 2% de borra de café. Para preparação do composto, foram utilizados substratos a base de fibra de coco e de E. crassipes. O composto a base de fibra de coco foi suplementado com flocão de arroz mais 2% de borra de café. Uma nova metodologia foi formulada para o composto a base de E. crassipes, consistindo nas seguintes etapas: coleta, solarização, pasteurização, suplementação com 2% de borra de café, desidratação em estufa a 60°C por 24 horas, autoclavagem a 121°C por 30 minutos, resfriamento, armazenamento no congelador e autoclavagem a 121°C por 30 minutos. Tanto o composto a base de fibra de coco como a base de E. crassipes após receberem as "sementes" ou Spawn de Pleurotus sp. foram incubados por 20 dias na ausência de luz e temperatura de 22°C, sendo posteriormente, expostos a luz e condições de alta umidade entre 85% e 95% e temperatura de 22°C para a frutificação. As culturas axênicas repicadas após sete dias atingiram toda a superfície da placa de Petri, sem nenhum contaminante, exibindo pureza e vitalidade das cepas. Quanto a avaliação da produção de "sementes" ou Spawn, observou-se que a maior velocidade de crescimento e o maior vigor micelial ocorreram nos grãos suplementados com 2% de borra de café. Quanto a avaliação da viabilidade dos compostos preparados a partir de fibra de coco e de E. crassipes (baronesa), se verificou que os mesmos apresentaram colonização completa, sem contaminantes após 20 dias de incubação em temperatura de 22ºC e ausência de luz. Quanto a frutificação, no tratamento fibra de coco + flocão de arroz com “semente” ou Spawn suplementados com 2% de borra de café, os primeiros primórdios de frutificação de cogumelos apareceram com sete a 10 dias, enquanto no tratamento fibra de coco + flocão de arroz com “semente” ou Spawn suplementados com 2% de gesso agrícola, os primeiros primórdios de frutificação de cogumelos apareceram com 10 a 12 dias. No composto a base de E. crassipes (baronesa), os primórdios surgiram sete dias após a abertura dos frascos. No composto a base de E. crassipes (baronesa) as frutificações foram colhidas cinco vezes enquanto no composto a base de fibra de coco apenas três colheitas foram realizadas. O presente estudo investigou a viabilidade do cultivo de cogumelos comestíveis do gênero Pleurotus utilizando substratos orgânicos abundantes na região Nordeste do Brasil, como a fibra de coco, e E. crassipes (baronsesa). A utilização desses substratos, além de reduzir o impacto ambiental, promove o desenvolvimento econômico e social por meio da fungicultura e agricultura familiar.