Representações do feminino em “As doze cores do vermelho”, de Helena Parente Cunha
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Resumo
A monografia intitulada "A representação do feminino na obra "As doze cores do vermelho", da escritora pós-moderna Helena Parente Cunha, constitui um emaranhado de ações que se encontram distribuídas em três ângulos diferentes, mas que quando contextualizados, simbolizam a figura da mulher guerreira ao longo dos anos por um reconhecimento como construtora do seu próprio discurso. Num primeiro ângulo, o "Eu" propõe uma volta nos fatos passados, mostrando a mulher desfavorecida quase que totalmente da liberdade de questionar as coisas em público, embora o fizesse em segredo ou até mesmo em ações discretas, pois apesar de seguir certos padrões na sociedade, não se enquadrava nos mesmos; num segundo ângulo, o "Você" é quem expressa um diálogo com o tempo presente: a personagem almeja casar-se, mas a sua vida com um companheiro mais que conservador, só acabou por perpetuar as convenções que a própria narradora já conhecia; e por último, o capítulo mais importante da presente monografia, "A mulher fragmentada através do "Ela", ou seja, o sofrimento da mulher ao perceber-se estereotipada por toda uma vida e que quer desprender-se de quaisquer estruturas que a inferiorize, mas encontra-se confusa entre o lado de cá" (o das proibições) e o "lado de lá" ( o da desconstrução e deslocamento do sujeito pós-moderno), devido ao padrão de mulher exigido na época. Daí a sua constante oscilação entre o "sim" e o "não" revelado pelo falocentrismo da estrutura dominante. Dessa forma, Helena Parente Cunha através de seus três ângulos quer mostrar que a mulher buscou e continua na luta por sua autonomia como construtora de discursos, querendo apenas romper com os modelos sociais existentes, mas encontra-se ainda enraizada a processos sancionados pela sociedade, papéis sociais que a legitimam como um ser inferior.